Matar, maltratar e acabar com o mundo: MAYDAY.

Estive pensando sobre humanidade. Expressar humanidade exclusivamente sob nossa ótica, é pura desonestidade, pois, achamos que ser humano, é a única senha possível para traduzirmos humanidade; filosofia e sentimentos. Falar de humanidade excluindo todas as outras formas de vida, sentindo, compaixão, empatia, pensando exclusivamente em outro ser-humano, é desonesto, sim. E sobre tudo o que temos explicado à sociedade, percebemos que o ser-humano é a forma de vida mais animalesca possível, em toda criação. 

O bicho é o que é. E nós, nós somos o que somos: mais bichos do que qualquer animal. E aliás, se falar bicho pejorativamente é diminuir o que conhecemos como um pet, ou um peçonhento qualquer, me perdoem então os bichos mais humanos que nós. É só olharmos ao redor, para percebermos que nós, os “superiores”, temos aniquilado todas as formas de vida existentes, assim como o que viabiliza a vida, em nosso planeta. 

O que é então um bicho? O que é ser um humano? O que é ser desumano? O que é um animal superior? É triste ver como a palavra, como o conceito de humanidade se desmancha em um rio de lama, se paramos para refletir, sobre. É até um afronta à criação como um todo, pôr o que entendemos sobre humanidade como a régua, o parâmetro do que entendemos como a primazia moral dos seres. 

A tirania, a crueldade humana é calculada. Até mesmo nos casos patológicos há método rebuscado com requinte de crueldade. Os outros bichos, tidos como irracionais, executando o que entendemos como crueldade, é executado para sua defesa ou para alimentar-se. Mas, percebo que na sociedade, para o sucesso, ou mesmo para manutenção de alguma sanidade ou posto, é preciso frieza, frieza cruel, ou empatia descarada ao ponto de negarmos qualquer empatia, para nossa própria defesa, quando se fala docemente, que é preciso deixar alguém definhando emocionalmente, para o bem dos dois. Aliás, não é isso que se tem ensinado nas aclamadas terapias? O ser bicho… o bicho proposital, calculadamente cruel, que esfola cachorrinhos, gatinhos vivos, apenas por prazer. 

Talvez o maior equívoco da nossa espécie tenha sido acreditar que sair da selva significava deixar de ser bicho — quando, na verdade, apenas trocamos as garras por contratos, os dentes por discursos, e a lei do mais forte por uma versão maquiada, burocratizada e infinitamente mais fria. O leão mata por fome; o humano, por status, por tédio, por convicção ou por um diagnóstico fechado num consultório. A diferença, portanto, não está na capacidade de sentir (e os bichos silvestres e pets, sentem), mas na habilidade de transformar sentimento em estratégia para qualquer objetivo, inclusive os mais fúteis. E nisso, sim, somos imbatíveis: os únicos animais capazes de justificar o injustificável com frases bem escritas.

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